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A maçã brasileira

Pergunte ao curitibano Hélio Rotenberg, presidente do grupo paranaense Positivo, qual o empresário que mais admira. A resposta, na ponta da língua, será Steve Jobs, o fundador da americana Apple. Tente descobrir que tipo de livros de negócios o executivo gosta de ler. Entre eles, estará algum que descreva as lições e a história de Jobs. Mas insinue que Rotenberg quer transformar a Positivo, a maior fabricante de computadores do Brasil, na Apple brasileira. “Não falo de concorrentes”, responderá, secamente. Não pense que ele fechará a cara e encerrará a conversa. Na verdade, esse é o tipo de comparação que Rotenberg gosta de ouvir. Não é de se estranhar, portanto, que a empresa nacional esteja adotando uma estratégia muito parecida com a da Apple, quando o assunto é convergência digital.
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Rotenberg, da Positivo: "É a disponibilidade do ambiente Mac para a classe média,
que não tem acesso à Apple".
Com o Positivo Conecta, um software similar ao iTunes, lançado em outubro do ano passado, a Positivo entra nessa disputa. O programa vem instalado nos computadores, no tablet Ypy e no e-readers Alfa da companhia e inclui uma loja de livros, música, aplicativos e games. Ele conta também com recursos para assistir a vídeos, armazenar fotos e organizar documentos. As semelhanças com o programa da empresa de Jobs não são mera coincidência. “É a disponibilidade do ambiente Mac para a classe média brasileira, que não tem acesso à Apple”, afirmou Rotenberg à DINHEIRO. As analogias, no entanto, terminam aqui. Em primeiro lugar, porque o software da Positivo roda em um PC e é aberto. O da Apple, seguindo o estilo de Jobs, é fechado e funciona em um ambiente controlado.
Além disso, a companhia da maçã – por mais que tenha massificado os seus produtos, dos computadores Mac ao tablet iPad e ao celular iPhone – ainda é identificada com um público de alta renda, em especial no Brasil, onde os equipamentos são importados. A Positivo, por sua vez, tem penetração em todas as classes, mas primordialmente nos consumidores da nova classe média emergente. “Fundamentalmente, nosso conteúdo é em português”, diz Rotenberg, resumindo o que, para ele, é a principal diferença de sua estratégia. O flerte da Positivo com o mundo dos aplicativos pode ser facilmente entendido quando se olha o balanço da companhia. Em 2011, a empresa vendeu 2,4 milhões de PCs, um aumento de 21,5%. Mas a receita líquida encolheu 10,9%, para R$ 2,1 bilhões. Pior: o lucro de R$ 24,7 milhões significou uma queda de 74,1%.
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Modelo inspirador: Steve Jobs, em 2008, quando lançou o notebook ultrafino Macbook Air.
A margem líquida foi de apenas 1,2%, fruto da acirrada competição do mercado brasileiro com potências internacionais, como as americanas HP e Dell e a chinesa Lenovo. “Todos venderam equipamentos muito baratos e não ganharam dinheiro”, afirma Ivair Rodrigues, diretor da consultoria paulista IT Data. A oferta de serviços agregados ao computador é uma tentativa de melhorar a rentabilidade e ganhar a fidelidade do consumidor. A Positivo investiu R$ 11 milhões para desenvolver sua versão do iTunes, quase a metade do lucro do ano passado. Criou também uma vice-presidência, comandada pelo executivo André Molinari, na qual trabalham 60 pessoas. Os números de vendas ainda são pequenos. “Mas têm crescido de forma exponencial”, diz Rotenberg. “Acreditamos muito nesse projeto.”
O otimismo do executivo está ancorado nos resultados da Apple. Em 2011, a empresa americana arrecadou US$ 5,4 bilhões com a venda de músicas, vídeos, filmes, livros e aplicativos, uma alta de 33%. O montante representou quase 5% de seu faturamento. O efeito colateral dessa estratégia, desejado pela Positivo, é a venda de mais computadores. Como o PC virou uma commodity – os fabricantes têm os mesmos fornecedores de partes e peças –, agregar um serviço à máquina pode ser um diferencial. “Os consumidores atualmente buscam mais do que apenas um equipamento”, afirma Rodrigues. Um dos trunfos com os quais a Positivo acredita contar é a sua força no varejo. Seus PCs terão o programa instalado. O tablet Ypy também contará com o software. E há mais uma coisa: se novos produtos forem lançados – como tevês e smartphones –, eles terão a versão brasileira do iTunes integrado.
Fonte: Istoé Dinheiro
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