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O Ciclo de Vida dos Negócios


O CICLO DE VIDA DOS NEGÓCIOS

DEFINIÇÃO DE NEGÓCIO

Para falar deste tema, é preciso ter em mente o que significa a palavra NEGÓCIO dentro de um campo de visão que envolva o mercado e o empreendedor. Assim, devemos procurar envolver os elementos que dão concretude ao significado real do termo.cabea_artigo

Juntando o Mercado e o Empreendedor, temos duas partes diretamente envolvidas e unidas para a construção deste objeto de desejo antigo de muitos em todos os lugares do planeta: “O desejo de ter o próprio negócio”.

Mas como começou essa história de ter um negócio? Na verdade, é difícil dizer quando começou. Eu digo que isso começa a todo dia que nasce! Nascendo com ele vários novos e futuros empreendedores. Eu digo sempre que essa história começa na própria natureza humana. Começa no DNA humano, o espírito empreendedor que significa “poder de fazer”.

O mercado por sua vez é o ambiente ideal para a manifestação dessa junção – empreendedor + mercado – que faz com que muitos negócios sejam originados. Então, como definimos o mercado neste contexto? O mercado tem a ver com as necessidades infinitas versus os recursos escassos da natureza. Tem base num princípio econômico: a lei da oferta e da procura. Costumo fazer um adendo e digo que a inovação se encaixa perfeitamente na essência do que é o mercado.

Assim, chegamos ao que chamamos de negócio. Tendo definido antes os seus elementos – empreendedor e mercado, podemos construir um significado abrangente e ao mesmo tempo objetivo. Podemos dizer que negócio é o objeto ou o resultado proveniente da junção da vontade de realização (empreendedora) e inovação do ser humano sobre o ambiente em que as necessidades e os recursos da sociedade se encontram em constante interação.

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Como os negócios surgem?

Nos dias de hoje, estamos vivendo a redenção econômica do país. Vivemos em um momento em que se estabilizou a economia, fazendo surgir classes sociais mais fortes e com potencial para alcançar novos horizontes. É verdade que o meio não impede a natureza humana de se manifestar, mas contribui para reduzir ou aumentar esta possibilidade. Com isso, veio à tona aquela questão do DNA empreendedor e inovador, lembra? Pois, então, estamos seguindo rumo ao auge do afloramento destas características na nossa natureza humana. Todos estão imbuídos desse espírito que se aguça cada vez mais. Chego a apostar que 10 entre 10 brasileiros estão pensando em abrir o seu próprio negócio, mas claro que um número bem menor é que chegará a tentar.

Vejo pessoas chegando ao Sebrae, em Recife, todos os dias buscando e trazendo ideias. Compartilham suas angústias pessoais e em alguns momentos sinto que no meio a força de empreender existe também a fragilidade nas dúvidas e nos anseios decorrentes também da condição humana.

Não bastasse a natureza humana, a sociedade repete continuamente por meio de redes de informação a imagem de uma economia superaquecida e que se destaca cada vez mais no cenário mundial. Daí, o ser humano sai em sua busca desenfreada pelo “querer fazer e não se sabe o que”. Não importa, pois ele vai descobrir algo.

Esse comportamento, às vezes, parece insano, mas na verdade é que temos um momento de pico para o empreendedorismo nacional. Estamos com fatores de sobra para aumentar a confiança, o otimismo e a autoestima.

São tantas histórias que aportam os postos de orientação do SEBRAE, baseadas sempre no mesmo ideal de “querer fazer”. De aposentado a dona-de-casa e mesmo os tão jovens que ainda nem concluíram uma formação profissional desejam empreender.

Como consequência disso, fatores como mão de obra qualificada e pontos comerciais se tornaram ainda mais escassos ao ponto de fazer com que muitos empreendedores de momento deixassem de ir adiante, ora interrompendo ou adiando o sonho do próprio negócio.

Outro fator, que traz constante frustração aos empreendedores por natureza, é que muitos descobrem tardiamente que ao desenvolver as ações somente na cabeça e não no papel pode acarretar em sérios prejuízos financeiros ou, na melhor das hipóteses, a perda de um tempo precioso. O que é preciso saber sobre empreender, é que existem técnicas para se desenvolver um negócio.  Dificilmente, a situação vinga sob a ótica do empirismo. Assim, planejar é preciso sempre!

O primeiro ciclo dos negócios – O CICLO DA ANSIEDADE

O primeiro ciclo é de fato o surgimento da ideia. É aquela que leva ao começo do negócio. Afinal, com o empreendedor em seu momento decisivo, as ações que se seguem tendem a caracterizar o ciclo de inicialização.

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Como já havia comentado, alguns empreendedores começam por um caminho mais arriscado e difícil sem planejamento ou, especificamente, sem a elaboração de um plano de negócios. Este caminho é repleto de incertezas.

O plano de negócios é o documento que contém as informações necessárias para que o empreendedor avalie que tipo de negócio vai fazer e como este se comportará no decorrer dos ciclos seguintes.

Isso é de fato uma garantia de que o que será feito está precedido de estudos que levarão ao momento da realização. O plano de negócios visa reduzir as incertezas, analisar as possibilidades, identificar peculiaridades não visíveis facilmente, comparar dados, compreender a operação, estimar os resultados, entre outras vantagens. Se fossemos dividir em etapas, esta seria a do mapeamento.

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“O plano de negócios é o documento que contém as informações necessárias para que o empreendedor avalie que tipo de negócio vai fazer e como este se comportará no decorrer dos ciclos seguintes.”

 

A etapa seguinte corresponde ao início da execução, não significando ainda a operacionalização. Ou seja, é o momento em que se decide buscar os elementos que compõe o negócio e que se encontram mapeados no plano de negócios. Então, estão coisas como: formalizar a empresa; encontrar e preparar o ponto ou o local ideal para os negócios; recrutar, selecionar, contratar e qualificar pessoas; adquirir mercadorias e matérias-primas; executar um plano de marketing e de comercialização.

A este início dos negócios chamamos de “start up”. Pode-se dizer que um start up vai desde a elaboração do plano de negócios até a operacionalização do negócio e, consequentemente, com o alcance do ponto de equilíbrio. A partir do equilíbrio dos custos fixos, a empresa pode-se considerar em ascensão passando a um novo ciclo de negócios.

Este é um ciclo difícil para o empreendedor, pois é a fase do maior volume de desembolso financeiro sem a contrapartida das receitas. Daí, a grande importância do plano de negócio e das estimativas e orçamentos que devem compô-lo. Essa capacidade de identificar os gastos com investimentos, despesas e custos serve para tornar o negócio mais seguro, tornando a sua evolução escalável e mensurável.

A maioria dos empreendedores, principalmente os recém iniciados, não se prepara suficientemente. Este é o principal fator que faz com mais de 60% dos negócios fechem ainda no seu primeiro ano.

Saibam que não existe tipo ou porte específico para que o plano de negócio seja feito. Todos devem ser precedidos de estudo e planejamento detalhado.

O segundo ciclo dos negócios – O CICLO DA ORGANIZAÇÃO

A ansiedade passou após a estabilização do ciclo inicial? Sim, é muito provável que a essa altura o empreendedor tenha se acalmado. Afinal, começou a faturar e a equilibrar os desembolsos. Com o caixa estável, ele poderá pensar em novas questões sobre o negócio. Pelo menos, é o que se espera.

Muitos empreendedores demoram a cuidar do negócio. Eles vão tocando em frente como fizeram ao iniciar tudo e, dependendo do mercado e da habilidade em vender, conseguem crescer. Alguns chegam a um tamanho estrondoso, com grande crescimento nas operações, no número de colaboradores e no faturamento. Como isso pode acontecer sem pensar em organização?

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Bem, isso é consequência de uma série de fatores e muitas vezes não tem explicação simples. Já vi empresas que ganharam força no mercado dependendo exclusivamente dos bons relacionamentos dos empreendedores.

 

Esses fatores que conseguem distorcer essa imagem de que as empresas mal organizadas conseguiram crescer, vão durar muito tempo ainda para serem compreendidos. O que importa discutir de fato é até quando tais empresas vão poder sustentar esta façanha.

A situação de desequilíbrio em que se vive em um negócio sem estrutura definida e totalmente desorganizado é aterradora. Ou naqueles em que, digamos ainda, tornaram-se organizados por meios empíricos (tentativa e erro), a situação é igualmente preocupante.

Neste ciclo, a empresa deve passar a ser pensada como uma organização estruturada dentro do que se deseja para o seu modelo de gestão. Ora, afinal, o que significa “Modelo de Gestão”? É muito simples! Modelo de Gestão é como as empresas se organizam para realizar o negócio.

“Modelo de Gestão é como as empresas se organizam para realizar o negócio.”

A maioria dos negócios não formaliza esse modelo, mas de alguma forma ele está lá constituído de pessoas, cargos, atribuições, processos, rotinas. O que acontece então neste ciclo em que tudo acontece tão naturalmente? Sabemos que não é bem assim, pois se trata mais uma vez de um processo empírico e muitos defeitos estão presentes nesta situação.

Em muitos casos, quando aproximamos as lentes para observar o dia a dia da empresa neste estado empírico de organização, vemos grandes deficiências que causam perdas que poderiam ser convertidas em ganhos. Por exemplo, cito o caso da empresa que tinha muitas filiais e mantinha uma equipe administrativo-financeira em cada uma delas. O volume de atividades em algumas filiais não compensava a despesa fixa. Mas o que importava ao empreendedor era manter o controle. Decidindo empiricamente, colocou uma equipe em cada filial. Se tivesse estudado uma opção menos onerosa, poderia ter descoberto que teria tal resultado caso fortalecesse a unidade matriz com um ou dois colaboradores e mais uma sistematização de processos.

São tantas situações de desperdício que advém da falta de se dedicar a um modelo de gestão e, consequentemente, ao fortalecimento e a formalização dos processos organizacionais. Muitos empreendedores nem percebem, mas, em certas circunstâncias e dependendo do porte do negócio em determinado momento, pode-se chegar a uma crise devido a esta questão.

Pode-se dizer que é “a hora da faxina” que exprime o momento deste ciclo na empresa. É hora de espanar a poeira, arrumar as prateleiras, mudar a disposição dos móveis, pintar a fachada, pode-se dizer. Falando assim, parece simples. Mas falta visão para enxergar este momento na maior parte dos casos.

O terceiro ciclo de negócios – O AMADURECIMENTO

É o ciclo que dá rumo aos negócios. Diz-se que á fase mais inteligente da organização. Por quê? Simples, nesta fase o empreendedor passa a constatar que precisa conhecer os números do seu negócio. Neste momento ele almeja saber se o seu negócio está de fato dando resultado e se algo pode ser feito para melhorá-lo.

Muitos se perguntam se este ciclo não deveria ser concomitante com o segundo, imediatamente após o primeiro. Digo que se fosse possível a uma organização lidar com tudo ao mesmo tempo, sim. Mas o que se vê é justamente que não tem sido possível. Prefiro a cautela da experiência como consultor para dizer que cada ciclo tem o seu lugar dentro da evolução do negócio. Posso dizer, pela minha experiência, que alguns desses ciclos poderão nem acontecer na história do negócio caso fracasse antes.

Então, este ciclo tem grande importância por representar o momento em que a organização passa a enxergar o horizonte, podendo decidir que caminho tomar a partir da análise das condições de sua própria situação. Neste caso, a situação da empresa também pode ser afetada por mecanismos alheios ao seu controle. É o caso dos fatores externos como a pressão dos concorrentes, situação da economia, questões políticas, entre tantas outras.

Mesmo assim, fica a máxima de que “não se pode controlar o que não se mede”. E, em função disso, a empresa deve buscar aprimoramento na sua estrutura de conhecimento. Afinal, como poderá o empreendedor adotar uma postura de decisor sem usar de parâmetros lógicos e razoáveis para isto.

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“É o ciclo que dá rumo aos negócios. Diz-se que á fase mais inteligente da organização.”

 

Trabalhei em empresas que buscavam continuamente rastrear suas informações financeiras e contábeis e sempre demoravam muito para descobrir aquilo que deveria estar ao alcance dos olhos e das mãos. E apesar de terem estrutura informatizada, não conseguiam dar consistência aos seus dados. Na maioria dos casos, empresas informatizadas ou não estacionam as suas necessidades de informação nas planilhas de Excel, que se fosse um sistema integrado seria o “ERP” (Sistema Integrado de Gestão Empresarial) mais utilizado do mundo.

A valorização dada ao Gerenciamento de Resultados significa, na ordem do ciclo de vida dos negócios, o amadurecimento ou a fase adulta. Uma empresa não consegue crescer de forma relevante e consciente a partir do momento em que necessita de informações precisas para decidir o seu futuro. Sem isso, a maior parte delas estaciona ou perde força no mercado.

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“Na maioria dos casos, empresas informatizadas ou não estacionam as suas necessidades de informação nas planilhas de Excel, que se fosse um sistema integrado seria o “ERP” (Sistema Integrado de Gestão Empresarial) mais utilizado do mundo.”

 

Portanto, o empreendedor deve ter sensibilidade para abraçar este momento em seus negócios sem promover uma correria histérica por números, comum naqueles que perdem o barco passando. Já vi de perto esta situação maluca de satisfazer líderes de empresas com dados fúteis sem nenhuma construção lógica e em desacordo com a estratégia do negócio. Este ciclo é para ser o mais rigoroso quanto aos processos de construção do modelo de gerenciamento dos resultados.

O quarto ciclo dos negócios – CRISE E RETOMADA

O quarto ciclo é um dueto entre os momentos de crise e as ações de retomada e recuperação dos negócios. Este não é um ciclo que se pode colocar em ordem sequencial em relação aos dois últimos, mas, por enquanto, vamos adotar a hipótese de que esses momentos acontecem nesta sequência para fins de construção deste artigo.imagem_10

Neste ciclo, vivenciamos os difíceis momentos pelos quais as empresas passam em sua existência. Causados por fatores externos e/ou internos, uma empresa nem sempre consegue fazer uma travessia tranquila neste oceano marcado quase sempre por instabilidades. O mar de almirante jamais será uma garantia muito longa.

Algumas empresas que seguiram os ritos dos ciclos anteriores com dedicação podem conseguir desviar seus cursos para zonas estáveis ou menos suscetíveis ao foco da instabilidade, precavendo-se constantemente. A maior parte delas sofre pela ausência de dedicação devida nos ciclos anteriores e, por isso, este momento conturbado vem ao seu encontro.

Navegando as escuras, sem uma bússola que sinalize as emergências em torno da gestão, a empresa sentirá as consequências pesadas de ter negligenciado a busca pelo aprendizado nos ciclos anteriores.

Para prosseguirmos nesta conversa, é preciso saber quais são os sinais que representam crise para uma empresa. Faço este questionamento, pois alguns empreendedores não sabem exatamente quando já estão em crise nos negócios. São vários os sinais de crise e nem mesmo precisam estar relacionados ao plano financeiro. Apesar de que o plano financeiro é sempre afetado em algum momento.

Uma empresa pode vir a sentir os sinais de crise em aspectos relacionados com o mercado de fornecedores ou de clientes, com a disponibilidade de mão de obra, com os custos ou falta de disponibilidade dos serviços de apoio logístico, com a falta de conhecimento em gestão, com a falta de visão estratégica, ação da concorrência, entre outros.

O que importa é que após iniciada a crise, quanto tempo o empreendedor levará para percebê-la e adotar medidas que promovam a retomada (Turnaround) do crescimento e do período de estabilidade. Quase sempre, a ajuda vem de fora com suporte de conhecimento promovido por consultorias especializadas nos mais variados temas relacionados com a crise.

O primeiro passo é fazer um bom diagnóstico empresarial com foco nos elementos que podem ter contribuído para a crise. Não vai adiantar ações desajeitadas de cortes de despesas ou de custos sem saber qual o foco do incêndio. Na maioria das vezes o empreendedor acaba tentando apagar o incêndio atirando mais gasolina nele. Parece um absurdo, mas é como se fosse assim.

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“O primeiro passo é fazer um bom diagnóstico empresarial com foco nos elementos que podem ter contribuído para a crise.”

 

 

 

Imaginem que quem entra em crise é porque não soube perceber os sinais que a precedeu. Por isso, o despreparo para combatê-la sozinho é algo pertinente de se imaginar. Afinal, a maioria dos negócios depende de conhecimento externo e aprimoramento contínuo com este apoio consultivo.

Para promover a retomada do negócio é preciso adotar um regime de prontidão. A situação emergencial é indicada para esses momentos. Após um diagnóstico sobre a crise, deve-se construir um plano de contingências para que a empresa possa continuar respirando. Muitas ações podem ser adotadas de forma a conter os “vazamentos”.

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Muitas ações podem ser adotadas de forma a conter os “vazamentos”.

 

No plano de contingências pode ser estabelecida a revisão de gastos, a capacitação de mão de obra, a política de comercialização e de marketing, a necessidade de expansão ou redução nas operações, a contratação de empréstimos para o caixa e investimentos, a reorganização do modelo de gestão, etc.

Tudo que seja necessário para sair deste momento obscuro nos negócios deve estar relacionado e adotado com disciplina e organização pelos envolvidos no processo de retomada. Afinal, é muito comum as empresas entrarem em crise sem nem perceberem e, por isso, a situação se torna ainda mais difícil uma vez que terão colocar em prática algo que nunca imaginaram em fazer. Pense a respeito. A falta de hábito é o fator mais importante nesta situação.

O ciclo de vida dos negócios

Bom, para concluir este artigo, volto a falar do ciclo de vida dos negócios (ou, deveríamos dizer ciclos?). Trato a questão de forma simples e clara, pois a empresa/negócio é um organismo vivo e dinâmico que se interage com vários outros em seu ambiente. A empresa tem de fato uma “razão social” que vai além do nome.

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Assim, o empreendedor deve pensar e entender como este organismo se comporta. Cada qual tem a sua característica de comportamento ora específico ora padronizado, tais quais as pessoas em sociedade. Afinal, uma organização é constituída de pessoas, não é mesmo?

Esse contexto é importante para fazer com que se possa trazer soluções comparáveis ao do comportamento humano, onde temos mais exemplos para lidar com as situações do cotidiano. Tal qual uma empresa, uma pessoa comete erros de julgamento e avaliam mal as suas perspectivas. Algumas tomam decisões acertadas e sobressaem. As escolhas são importantes a todo o momento.

Desde o início, o desenvolvimento dos negócios é baseado nas decisões tomadas pelos seus empreendedores e, por isso, este deve estar em contínuo processo de aprendizado de forma a conduzi-lo em uma rota segura. Aos que negligenciam esta necessidade, viverão períodos conturbados em algum momento e terão de se esforçar muito mais para buscar soluções adequadas em um curto espaço de tempo.

Portanto, sugiro que busquem novos conhecimentos a todo o momento. Existem amplas bases de dados e de serviços que podem fornecer tais informações, sejam em cursos, instituições especializadas, serviços de consultoria, etc. Não importa a fonte, desde que venha a contribuir para os negócios, será sempre bem vinda.

Boa sorte!

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Fabiano Santos

 

Consultor em Gestão e Negócios, credenciado pelo Sebrae-PE. Mestre em Engenharia de Produção pela UFF/RJ e Pós-Graduado em Controladoria pela UFPE.

 

A cruzada do dinheiro barato

O governo promove uma ofensiva para derrubar as taxas de juros por meio da competição e estimular o crescimento da economia.

A cruzada do governo para reativar o crescimento econômico, neste ano, tem um inimigo certo: as altíssimas taxas de juros do crédito no Brasil. Na guerra declarada pela presidenta Dilma Rousseff, a primeira batalha foi vencida na noite de quinta-feira 12. Depois de um embate com o setor financeiro, que culminou com as duras declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na manhã do mesmo dia, durante entrevista coletiva em Brasília, contra a resistência dos bancos privados em reduzir os spreads praticados, o HSBC foi o primeiro a seguir os estatais Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF) e Banrisul e anunciar cortes de taxas no cheque especial, financiamento de veículos, crédito pessoal e empréstimo consignado.

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(esq. para dir) Jorge Hereda, da CEF: "Bancos disputarão mais os clientes";

Alexandre Tombini, do BC:
Reduzir spreads é prioridade de sua gestão.;

Dilma Rousseff:
"Taxa de juros brasileira é insustentável e de difícil explicação";

Ademir Bendine, do BB:
“Modelo de financiamento do crédito precisa ser revisto”;

Guido Mantega:
“Bancos querem jogar a conta nas costas do governo”;

A subsidiária do banco britânico reduziu as taxas mínimas nesses produtos a níveis próximos operados pelos bancos públicos. O primeiro lance da ofensiva contra os juros escorchantes, cuja envergadura e firmeza são inéditas na história recente do País, veio na quarta-feira 4, quando o BB anunciou o programa Bom Para Todos, reduzindo em até 45% as taxas nas linhas voltadas ao consumo, como crédito direto ao consumidor e rotativo do cartão de cartão de crédito. “Os bancos precisam se reinventar”, disse à DINHEIRO o vice-presidente de Atacado, Negócios Internacionais e Private Bank do BB, Paulo Rogério Caffarelli, reforçando o discurso da trincheira governista. “Devem aprender a trabalhar com taxas e spreads menores e criar novos produtos.”

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Dias depois, foi a vez da Caixa anunciar movimento semelhante. Os juros de linhas de capital de giro para empresas, por exemplo, caíram para um terço do valor original. “Foi uma decisão pensada, para aumentar a participação do banco no mercado”, disse o presidente da Caixa, Jorge Hereda (veja entrevista ao final da reportagem). A expectativa do governo era de que os bancos privados seguissem espontaneamente o movimento estatal, temendo perder participação de mercado. Mas isso não ocorreu. Insatisfeita, a presidenta colocou representantes dos bancos frente a frente com o secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa.
Numa reunião na terça-feira 10, no Ministério, na capital federal, técnicos dos dez maiores bancos do País, acompanhados dos presidentes da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, e da Associação Brasileira dos Bancos Comerciais (ABBC), Renato Oliva, apresentaram uma lista de 24 reivindicações que permitiriam dar início a uma trajetória de queda mais significativa das taxas de juros. Os bancos pediram desde a redução de compulsórios e impostos sobre crédito, até aumento das garantias nos empréstimos (veja quadro "Lista de pedidos"). Portugal saiu da reunião afirmando que 70% do spread bancário, a diferença entre o custo da captação e a remuneração dos empréstimos feitos pelos bancos, representam custos.
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Portugal, da Febraban: "Só 30% do spread corresponde a lucro".
“Os bancos têm interesse em reduzi-los”, afirmou Portugal, que arrematou com uma declaração memorável: “Na verdade, apenas uma pequena parte, em torno de 30%, representa a margem de lucro.” Dito isso, o presidente da Febraban afirmou que a bola agora estava com o governo. O governo não gostou nem um pouco do que considerou uma provocação. Escalado pela presidenta, Mantega tratou de dar um recado contundente para o setor financeiro, na quinta-feira 12. “Os bancos querem jogar a conta nas costas do governo”, disse. Mas as instituições privadas, lembrou ele, têm margem de lucro suficiente para cortar os juros. “Os bancos estão retendo crédito. O Murilo Portugal, em vez de trazer soluções anunciando aumento de crédito, veio aqui para fazer cobranças.”
Irritado, Mantega lembrou que os bancos pagam no máximo 9,75% para captar recursos – exatamente o valor da taxa Selic. “Mas estão emprestando a 30%, 50%, 80% ao ano, dependendo das linhas de crédito”, disse o ministro, reforçando que o País tem um dos maiores spreads de crédito do mundo. Segundo dados do Banco Mundial, de uma lista de 150 países, o spread dos empréstimos no Brasil, de 31% em 2010, só é menor que o vigente no Congo e em Madagáscar. A comparação é vergonhosa não apenas com países desenvolvidos (na Suíça o spread é de 2,7%). Na Argentina, o spread bancário é de 1,4% e, no Chile, de 3%. A estratégia do governo para golpear definitivamente o modelo de juros siderais praticado durante décadas no País é colocar a concorrência bancária em novo patamar reduzindo as taxas cobradas pelos maiores bancos públicos do País.
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“Vamos colaborar nesse processo”, diz o presidente do Banco do Brasil, Ademir Bendine. “O modelo de financiamento de crédito do País precisa ser revisto.” O BB pretende ganhar participação de mercado, a exemplo do que fez na crise de 2008, quando supriu a lacuna deixada pelos bancos privados. Hoje 42,3% do total de crédito no País é concedido por instituições públicas. A ideia é usar o limite de crédito adicional de R$ 16,3 bilhões a pessoas físicas para evitar a saída de clientes que hoje recebem salário pelo BB e que a partir deste ano têm liberdade para escolher seu domicílio bancário. Dos 44 milhões de trabalhadores brasileiros que recebem seus salários por meio de conta bancária, 13 milhões o fazem pelo Banco do Brasil.
O BB não está preocupado com os índices de inadimplência, que diz serem inferiores às médias de mercado. No ano passado, os pagamentos em atraso de mais de 90 dias no banco estatal representavam 2,1% da carteira, abaixo da média de 3,6% no mercado. O vice-presidente Caffarelli vê uma nova tendência entre os consumidores de menor renda, que entraram no mercado nos últimos anos. “No início eles eram mais preocupados com o valor da prestação”, afirma. “Mas agora já fazem planejamento financeiro.” Também faz parte do arsenal do governo atender melhor às empresas, com a redução drástica dos custos de empréstimos concedidos pelo BNDES.
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Lazari, do Bradesco: "Grande parcela das famílias ainda não tem dívidas, o que mostra
potencial de avanço do crédito"
Além de reduzir os juros nas suas linhas tradicionais de financiamento de investimentos, o banco recebeu mais recursos e ampliou o acesso a linhas de capital de giro, concorrendo diretamente com os produtos oferecidos pelos bancos privados. Segundo o superintendente de planejamento do BNDES, Cláudio Leal, a oferta dessas linhas será a contribuição do banco de desenvolvimento para a ofensiva pela redução de spreads bancários. “Tivemos grande sucesso com o capital de giro durante a crise de 2008, quando os bancos também se retraíram nos empréstimos”, afirma Leal. O BNDES terá R$ 15 bilhões para capital de giro e, a partir de agora, o acesso a essas linhas, antes limitado a empresas de médio e pequeno portes, será estendido a companhias maiores.
Até o anúncio feito pelo HSBC, o sexto maior do País, os bancos vinham reagindo com frieza ao movimento dos estatais, a despeito do espectro da perda de posições no mercado caso se mantenham alheios ao movimento de baixa de juros. Uma das razões para essa postura, de acordo com o diretor de um grande banco nacional, era o temor de que suas ações fossem penalizadas na bolsa como ocorreu com o BB, cujos papéis caíram quase 6% no dia do anúncio do corte de taxas. Executivos ouvidos pela DINHEIRO afirmavam que, ainda que perdessem mercado para o BB e CEF, não podem se dar ao luxo de ter prejuízo com crédito. “Não podemos ser socorridos pelo Tesouro como os bancos estatais”, afirmou um deles. Outro executivo lembrava que reduzir a taxa daria um “péssimo sinal” aos clientes, de que o banco não cobra juros menores porque não quer.
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O mais provável, segundo o mesmo executivo, é que poucos bancos venham a seguir o exemplo do HSBC, que anunciou publicamente sua adesão ao corte de juros. Em vez disso, a tendência seria reduzir as taxas, discretamente, para não perder os melhores clientes, sem grande alarde. Apesar do argumento dos bancos privados de que juro menor pode resultar em prejuízo, está claro que há gordura a ser queimada. Os bancos listados em bolsa tiveram uma média de rentabilidade de 14% no ano passado, segundo a consultoria Economática. É quase o dobro da média de 7,63% dos bancos americanos. Para o analista da Austin Asis, Miguel Santacreu, o modelo do setor financeiro no Brasil está baseado num baixo volume de crédito com margens altas.

Por isso, o crédito só agora está chegando a 50% do PIB. É o dobro do registrado há uma década, porém, longe do nível de outros países. Na Alemanha, é de 108% e nos Estados Unidos, 202%. “Para atingir uma participação maior, os bancos teriam de adotar um modelo semelhante ao de seus pares em países desenvolvidos, que ganham com o volume e não com a margem de cada operação”, diz Santacreu. Embora os bancos tenham altos lucros – totalizaram, no ano passado, R$ 76,6 bilhões, dos quais 65% ficaram com os 25 maiores – a rentabilidade sobre o patrimônio já foi bem maior no passado. Em 2007, chegou a 20,30%, contra 12,6% em 2011 (veja quadro "Lucros dos bancos continuam altos"). A diferença em relação ao setor produtivo também diminuiu.
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Batista, da máquina de vendas: "Ainda há uma enorme demanda reprimida"
No ano passado, por exemplo, a Ambev teve lucro de 34,6% sobre seu patrimônio e a Vale, 29,6%. São resultados melhores, por exemplo, que os do Itaú Unibanco, de 22,3%, Bradesco, de 21,3%, ou Santander, de 10,2%. No entanto, não é apenas no lucro dos bancos que há gordura para cortar. Algumas medidas tributárias muito simples teriam impacto direto na taxa de juros do crédito, mas são evitadas pelo governo por razões arrecadatórias. O melhor exemplo é o IOF cobrado em linhas de crédito para pessoa física, que foi elevado de 1,5% para 2,5% no início do ano passado, quando o Banco Central tentava conter a forte expansão dos empréstimos. O presidente do BC, Alexandre Tombini, já reverteu a maior parte das chamadas medidas macroprudenciais, mas a alíquota de IOF não voltou aos patamares anteriores.
Embora sejam menos relevantes, os impostos têm um peso significativo na composição do spread bancário. Os tributos representam 22% do spread, a inadimplência, 29% e os lucros, 32,7%. De qualquer maneira, o fato é que os juros do crédito ao consumidor e às empresas não têm acompanhado o recuo das taxas básicas nos últimos meses. Desde agosto, a taxa Selic já caiu 2,75 pontos percentuais, mas o consumidor não foi beneficiado. Ao contrário, algumas taxas até subiram, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Em março, a entidade registrou alta nos juros de cheque especial e empréstimo pessoal. A alta da inadimplência é a justificativa apresentada pelos bancos para apertar os critérios de concessão de crédito nos últimos meses.
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Em fevereiro, a taxa já alcançava 7,6% entre as pessoas físicas, segundo o BC. Enquanto o governo e o setor bancário discutem qual é o tamanho da responsabilidade de cada um, o varejo e a indústria, que dependem do crédito para expandir suas vendas, sofrem as consequências. Alain Rickeboar, presidente da rede francesa Leroy Merlin, líder no varejo de materiais de construção brasileiro, reclama que os juros altos anulam o efeito positivo do ganho de renda e do emprego em alta no País. A rede de material de construção tem um cartão próprio, em parceria com a Itaucard, pelo qual consegue oferecer prazos mais longos de pagamento para seus clientes – dez parcelas, em vez de seis dos cartões de crédito tradicionais.
“Mas o percentual de aprovação de propostas de financiamentos caiu de 45% para 20% nos últimos meses”, diz Rickeboar. “Essa restrição não faz o menor sentido, já que 85% dos meus clientes são das classes A e B.” O presidente da Leroy observa ainda que, mesmo com a rota descendente da taxa Selic desde o ano passado, não houve melhora das condições de financiamento nem para o consumidor nem para a própria rede, quando procura dinheiro nos bancos para capital de giro. “Hoje, o custo de financiamento absorve 5% da nossa rentabilidade, o que é uma anomalia”, afirma. Para ele, a queda de juros nos bancos públicos só será uma boa notícia se os demais bancos também baixarem suas taxas. “Vai haver um momento em que esta conta não vai fechar e o brasileiro vai parar de consumir.”
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Jorge Gonçalves Filho, diretor-geral de outra rede varejista de material de construção, a C&C, também considera inócuas as recentes reduções da Selic porque não houve benefício para o consumidor. “Nós precisamos de três coisas para vender: emprego, renda e crédito”, diz Gonçalves Filho. “Os dois primeiros nós já temos, só falta melhorar as condições para financiar o cliente.” Outro setor duramente afetado pela mudança de humor dos bancos foi a indústria automobilística. O presidente da General Motors na América do Sul, Jaime Ardila, diz que a forte retração dos bancos nos últimos meses já está afetando a venda na rede de concessionárias. “O crédito com prazo de cinco anos sem entrada, que é a chave no nosso negócio, praticamente desapareceu”, diz Ardila.
Para tentar suprir parte da lacuna, algumas montadoras, como a GM, estão valendo-se de seus bancos próprios para financiar os clientes. O banco GM, por exemplo, aumentou em mais de dez pontos percentuais sua participação no mercado de crédito. Ardila diz que juros mais altos só estimulam a elevação da inadimplência. “Uma redução expressiva dos spreads permitiria o acesso ao crédito a um número maior de pessoas e contribuiria para reduzir o endividamento”, diz. Se a cruzada do governo for vitoriosa, o cenário para os próximos anos é promissor. Com juros civilizados, o potencial do consumo brasileiro seria multiplicado. “Se os juros caíssem pela metade e o nível de aprovações aumentasse, o mercado de carros cresceria 30% no primeiro ano”, projeta o presidente da GM.
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Rickeboar, da Leroy Merlin: "Restrição ao crédito dos bancos não faz sentido"
Taxas menores incorporariam a classe D ao mercado de consumo de bens duráveis, um fenômeno semelhante ao que ocorreu com a classe C. Gente que hoje só consegue comprar geladeira e tevê teria acesso a carros novos. “Não seria exagero falar numa nova revolução no consumo”, afirma Ardila. Juros mais baixos também empurrariam para cima o limite de endividamento. Em dezembro do ano passado, o comprometimento de renda das famílias brasileiras chegava a 22,7% para amortizar empréstimos, segundo um levantamento do banco Credit Suisse. Trata-se de um número preocupante. “Quando a gente percebe que o cliente está gastando 25% da renda com empréstimos, o sinal amarelo acende”, diz Carlos Samogim, diretor-superintendente da Finamax, de São Paulo.
O banco Credit Suisse alerta para o fato de que renda comprometida com o pagamento de dívidas é provavelmente uma das causas do aumento recente da inadimplência. Eis por que juros menores fariam com que o mesmo volume de endividamento comprometesse menos o orçamento das famílias e aumentasse, assim, seu potencial de consumo. É exatamente isso que o varejo espera. O presidente do conselho da Máquina de Vendas, Luiz Carlos Batista, por exemplo, faz planos para faturar mais com esse movimento. O empresário planeja abrir mais 60 lojas neste ano – a rede possui 940 unidades no País – de olho em mais um ciclo de expansão do crédito ao consumidor. Batista tem muito claro que a desaceleração do crédito é temporária e importante para controlar a inflação.
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Ardila, CEO da GM na América do Sul: "Juros mais baixos trariam uma nova revolução no consumo"
“Agora, o cenário está mudando”, diz. O próprio crescimento da inadimplência, registrado em 2011, não deve se repetir neste ano, segundo especialistas. Na verdade, os principais bancos privados – Bradesco, Itaú e Santander –, ao divulgar seus balanços de 2011, foram unânimes em prever que os atrasos nos pagamentos de consumidores e empresas vão cair a partir do segundo semestre deste ano. Uma pesquisa da Febraban, feita na segunda quinzena de março, com os 31 maiores bancos que operam no Brasil, mostra que a projeção média para a inadimplência acima de 90 dias é de 5,3% neste ano, ante 5,5% em 2011. “Não há deterioração importante do ponto de vista da qualidade das carteiras de crédito”, admite Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban.
Numa palestra recente na sede do Banco Central, em São Paulo, o presidente, Alexandre Tombini, enfatizou sua convicção de que o crédito está crescendo de forma sustentável e citou, entre vários fatores positivos, a expansão da renda e a queda do desemprego. Tombini prevê forte aceleração da economia entre o segundo semestre deste ano e o primeiro semestre de 2013. O diagnóstico do presidente do BC é fundamental para reverter as expectativas pessimistas do mercado. “Se o governo conseguir emitir sinais de que o desemprego continuará baixo e o poder de compra das famílias será preservado, a demanda por crédito estará garantida”, diz Fernando de Castro, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV).
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Espaço para crescer não falta, avalia Nicola Tingas, economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). “A participação do crédito pode chegar tranquilamente a 80% do PIB”, diz Tingas. Embora estejam em pé de guerra com o governo em relação ao preço do crédito, os próprios bancos projetavam um crescimento no volume neste ano. “Há uma grande parcela das famílias que é conservadora e ainda nem tem dívidas”, diz Octavio de Lazari, diretor-executivo do Bradesco. Enquanto isso, Luiz Carlos Batista, da Máquina de Vendas, prepara suas lojas para crescer 11% neste ano.
“O que muita gente não enxerga é que há uma enorme demanda reprimida por eletroeletrônicos”, diz Batista. “Se baixar o juro, haja mercadoria.” Ou seja, se depender do Brasil real, que produz e gera riqueza, essa cruzada será vencida. Afinal, o governo está fazendo a sua parte, diminuindo a Selic para um dígito e estimulando os seus bancos a repassar esses ganhos na ponta do varejo. Cabe ao setor privado fazer a sua parte, pressionando os recalcitrantes a aderir ao combate antijuros altos, buscando as melhores taxas e até mesmo trocando de fornecedor financeiro, estimulando a competição.
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As melhores taxas para o seu negócio
A decisão do governo de estimular os bancos estatais – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banrisul – a reduzir os juros deve provocar um aumento da competição entre as instituições financeiras. Graças à portabilidade do crédito, regulamentada pelo Banco Central (BC) em 2008, quem tiver dívidas junto a um banco poderá transferi-las para um concorrente mais camarada. É um processo trabalhoso: requer que o devedor obtenha uma linha de crédito de prazo e limite comparáveis aos de seu compromisso, e só compensa se as taxas forem menores. Mesmo assim, cada fração de ponto percentual de redução no custo do dinheiro é uma vantagem para o tomador do empréstimo.
Para facilitar sua navegação nesses mares recém-agitados, DINHEIRO pesquisou as taxas oferecidas pelos bancos para as principais linhas de crédito empresariais. Foram considerados apenas os 20 maiores bancos por ativos, conforme a posição oficial do BC em dezembro de 2011. Nesse levantamento, foram consideradas as taxas médias informadas pelos bancos ao BC, válidas para o período entre 21 e 29 de março. Estão incluídos os encargos operacionais (que são as tarifas cobradas pelos bancos) e os impostos. As taxas estão expressas em seus percentuais anuais. Em alguns casos, o Banco do Brasil e a Caixa informaram alguns de seus preços após o corte nas taxas realizado em abril. Essas exceções estão indicadas nas tabelas pela letra (a).
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“Os bancos terão de se adaptar a juros mais civilizados”
O presidente da Caixa, Jorge Hereda, prevê uma disputa mais acirrada no setor bancário para conquistar o cliente, com a redução de juros iniciada pelos bancos públicos neste mês.

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O que representa essa redução do spread promovida pela Caixa?
Vai acontecer o que aconteceu nos anos 1990, quando a inflação caiu. Os bancos ganhavam com o dinheiro que ficava parado nas contas. Quando a inflação caiu, eles tiveram de se adaptar e passaram, inclusive, a cobrar tarifas, algo que antes não acontecia. Será o mesmo agora. Os bancos terão de se adaptar ao cenário de juros mais civilizados. Vai começar uma disputa maior pelos clientes.
A redução dos juros pode afetar o lucro da Caixa?
De jeito nenhum. Vamos ter lucro igual ou maior do que no ano passado. Vamos reduzir nossos custos administrativos e aumentar a base de clientes. Queremos ampliar nossa participação no mercado de crédito de 12,6% para 14% neste ano. As empresas estão com dificuldade em conseguir crédito e reclamam das taxas praticadas atualmente. Por isso ganharemos mercado.
Essa expansão do crédito pode aumentar a inadimplência?
Ao contrário. Se as condições de emprego e renda continuarem como hoje, a redução de juros pode dar mais condições ao consumidor de pagar suas contas, com financiamentos mais longos e custos menores.
Fonte: Istoé Dinheiro

Dinheiro na linha

O Banco Central prepara o marco legal dos pagamentos via celular, o negócio mais promissor para as empresas de telefonia.

O nó dos pagamentos efetuados por meio de dispositivos móveis – como telefones celulares e tablets – vai começar a ser desatado. O Banco Central (BC) e o Ministério das Comunicações vão discutir a regulamentação dessas transações financeiras, consideradas um dos maiores negócios para as empresas de telefonia e operadoras de cartões. Segundo Aldo Mendes, diretor de Política Monetária do BC, a comissão deve apresentar, em 90 dias, a base para o marco regulatório do setor. Mesmo assim, ainda vai levar tempo para esses processos saírem do papel (ou do silício). “O pagamento móvel é um dinheiro novo e, portanto, é um desafio para os reguladores”, disse Mendes em São Paulo na terça-feira 10. Atualmente, os pagamentos móveis são vinculados ao sistema financeiro.

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Crédito no celular: as operadoras já estão prontas; só falta definir as regras.

Eles funcionam como um cartão pós-pago e são uma linha de crédito concedida por um banco. O governo quer permitir o uso de sistemas pré-pagos para atender os brasileiros sem acesso a serviços bancários. Os cartões pré-pagos em operação só servem para alguns propósitos, como vale-alimentação. Outros usos têm de ser aprovados pelo BC. Algumas características do marco legal já foram definidas. Os sistemas têm de ser simples, universais, devem interagir com todas as empresas envolvidas, ser seguros, competitivos e adaptáveis às tecnologias existentes. O diretor do BC afirmou que, em uma segunda etapa, o sistema vai permitir pagar benefícios como os do Bolsa Família e os do INSS. Essa discussão é fundamental para permitir que esses pagamentos se tornem realidade.
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Mendes, do BC: "Os pagamentos móveis são um dinheiro novo, algo
que desafia os reguladores".
Por enquanto, bancos, telefônicas e administradoras de cartão de crédito estão de mãos atadas. “Está tudo pronto para lançar os serviços de pagamentos móveis, mas falta o arcabouço legal”, diz Maurício Romão, diretor de produtos e serviços da Vivo. Já há algumas definições. Quando o proprietário de um celular pré-pago compra minutos em uma banca de jornal ou em uma casa lotérica, por exemplo, a operadora paga ao estabelecimento para prestar esse serviço. As recargas processadas por bancos e empresas de cartão de crédito serão mais baratas. No pagamento de contas o ônus ficará para a empresa prestadora de serviço, como hoje ocorre no caso da emissão de boletos bancários. Finalmente, nas compras no comércio, a remuneração funcionará nos moldes dos cartões de débito e crédito, com as empresas cobrando do comerciante um percentual sobre o valor da compra.
“Em todos esses casos, o cliente não será cobrado”, afirmou Romão. O usuário só paga no caso de saques e transferências. “O consenso é que não será cobrado dos consumidores o tráfego gerado pelos pagamentos eletrônicos, como as mensagens de texto para comprovação de que uma compra foi realizada”, afirmou Gabriel Ferreira, superintendente de serviços da Oi Paggo. Ferreira não detalhou como a operadora, o Banco do Brasil e a Cielo vão dividir as tarifas. Mesmo com tantos pontos já acertados, ainda será preciso discutir a incidência de impostos, a cobrança de tarifas e se o BC vai exigir ou não a possibilidade de incidência de um depósito compulsório no dinheiro depositado nas contas móveis. Mendes afirmou que são assuntos para uma segunda etapa da regulação. “Ainda há muito a ser discutido”, disse.
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Fonte: Istoé Dinheiro

 

A maçã brasileira

Pergunte ao curitibano Hélio Rotenberg, presidente do grupo paranaense Positivo, qual o empresário que mais admira. A resposta, na ponta da língua, será Steve Jobs, o fundador da americana Apple. Tente descobrir que tipo de livros de negócios o executivo gosta de ler. Entre eles, estará algum que descreva as lições e a história de Jobs. Mas insinue que Rotenberg quer transformar a Positivo, a maior fabricante de computadores do Brasil, na Apple brasileira. “Não falo de concorrentes”, responderá, secamente. Não pense que ele fechará a cara e encerrará a conversa. Na verdade, esse é o tipo de comparação que Rotenberg gosta de ouvir. Não é de se estranhar, portanto, que a empresa nacional esteja adotando uma estratégia muito parecida com a da Apple, quando o assunto é convergência digital.
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Rotenberg, da Positivo: "É a disponibilidade do ambiente Mac para a classe média,
que não tem acesso à Apple".
Com o Positivo Conecta, um software similar ao iTunes, lançado em outubro do ano passado, a Positivo entra nessa disputa. O programa vem instalado nos computadores, no tablet Ypy e no e-readers Alfa da companhia e inclui uma loja de livros, música, aplicativos e games. Ele conta também com recursos para assistir a vídeos, armazenar fotos e organizar documentos. As semelhanças com o programa da empresa de Jobs não são mera coincidência. “É a disponibilidade do ambiente Mac para a classe média brasileira, que não tem acesso à Apple”, afirmou Rotenberg à DINHEIRO. As analogias, no entanto, terminam aqui. Em primeiro lugar, porque o software da Positivo roda em um PC e é aberto. O da Apple, seguindo o estilo de Jobs, é fechado e funciona em um ambiente controlado.
Além disso, a companhia da maçã – por mais que tenha massificado os seus produtos, dos computadores Mac ao tablet iPad e ao celular iPhone – ainda é identificada com um público de alta renda, em especial no Brasil, onde os equipamentos são importados. A Positivo, por sua vez, tem penetração em todas as classes, mas primordialmente nos consumidores da nova classe média emergente. “Fundamentalmente, nosso conteúdo é em português”, diz Rotenberg, resumindo o que, para ele, é a principal diferença de sua estratégia. O flerte da Positivo com o mundo dos aplicativos pode ser facilmente entendido quando se olha o balanço da companhia. Em 2011, a empresa vendeu 2,4 milhões de PCs, um aumento de 21,5%. Mas a receita líquida encolheu 10,9%, para R$ 2,1 bilhões. Pior: o lucro de R$ 24,7 milhões significou uma queda de 74,1%.
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Modelo inspirador: Steve Jobs, em 2008, quando lançou o notebook ultrafino Macbook Air.
A margem líquida foi de apenas 1,2%, fruto da acirrada competição do mercado brasileiro com potências internacionais, como as americanas HP e Dell e a chinesa Lenovo. “Todos venderam equipamentos muito baratos e não ganharam dinheiro”, afirma Ivair Rodrigues, diretor da consultoria paulista IT Data. A oferta de serviços agregados ao computador é uma tentativa de melhorar a rentabilidade e ganhar a fidelidade do consumidor. A Positivo investiu R$ 11 milhões para desenvolver sua versão do iTunes, quase a metade do lucro do ano passado. Criou também uma vice-presidência, comandada pelo executivo André Molinari, na qual trabalham 60 pessoas. Os números de vendas ainda são pequenos. “Mas têm crescido de forma exponencial”, diz Rotenberg. “Acreditamos muito nesse projeto.”
O otimismo do executivo está ancorado nos resultados da Apple. Em 2011, a empresa americana arrecadou US$ 5,4 bilhões com a venda de músicas, vídeos, filmes, livros e aplicativos, uma alta de 33%. O montante representou quase 5% de seu faturamento. O efeito colateral dessa estratégia, desejado pela Positivo, é a venda de mais computadores. Como o PC virou uma commodity – os fabricantes têm os mesmos fornecedores de partes e peças –, agregar um serviço à máquina pode ser um diferencial. “Os consumidores atualmente buscam mais do que apenas um equipamento”, afirma Rodrigues. Um dos trunfos com os quais a Positivo acredita contar é a sua força no varejo. Seus PCs terão o programa instalado. O tablet Ypy também contará com o software. E há mais uma coisa: se novos produtos forem lançados – como tevês e smartphones –, eles terão a versão brasileira do iTunes integrado.
Fonte: Istoé Dinheiro

Último exame de Lula será feito nesta semana

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FHC visitou Lula na manhã de hoje

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai fazer nesta quarta-feira (28) o último exame para garantir que o câncer foi definitivamente vencido.

Os médicos estão otimistas com o resultado. Lula estava tratando do câncer na laringe desde a descoberta da doença, em outubro do ano passado. Desde então, ele faz exames semanais no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Visita ilustre

Na manhã desta terça-feira (27), Lula recebeu a visita do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, conforme a coluna de Guilherme Barros antecipou na noite de ontem (26). O encontro durou cerca de 50 minutos e os dois conversaram, a maior parte do tempo, a sós. Segundo a assessoria de Lula, na saída, FHC comentou apenas que Lula estava "melhor do que ele imaginava".
Esta foi a primeira visita do tucano ao petista, desde que Lula iniciou o tratamento contra um câncer na laringe. O ex-presidente FHC tem uma relação antiga com Lula  e sempre disse que gostava muito dele, apesar das adversidades políticas.
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